quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Equitação com Fins Terapêuticos

A presente notícia expõe-nos a explicação da Equitação com Fins Terapêuticos em Portugal de acordo com a Equipa Técnica do Centro de Equitação Terapêutica da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa.

A Equitação com Fins Terapêuticos conjuga a Equitação Clássica e os fundamentos teóricos da Reabilitação, com contributos a nível neuromotor, cognitivo e psicossocial. É exercida por vários técnicos de saúde e educação, dividindo-se em três valências de intervenção, a Hipoterapia, a Equitação Terapêutica e a Equitação desportiva Adaptada.

Diferenciando as três valências, a Hipoterapia exige uma orientação clínica e só pode ser praticada por terapeutas, em que o objetivo é a reabilitação a nível neuromotor e não o ensino equestre.

A Equitação Terapêutica aplica-se quando o objetivo é desenvolver áreas psicomotoras, estando direcionado para necessidades específicas na área educacional, psicológica ou cognitiva, podendo ser contemplados com progressos no ensino equestre.

Por fim, na Equitação Desportiva Adaptada os objetivos não são terapêuticos, mas sim de natureza desportiva ou de lazer. O treinador de equitação e o cavaleiro trabalham em conjunto para desenvolver competências equestres, não tendo o terapeuta um papel ativo.

A Equitação com Fins Terapêuticos é cada vez mais parte integrante de processos terapêuticos. O facto de ocorrer num ambiente diferente promove o envolvimento ativo dos utentes no desenvolvimento dos objectivos terapêuticos, com uma notável melhoria das aquisições e uma maximização dos potenciais funcionais do indivíduo, promovendo uma melhoria no seu envolvimento ocupacional noutros contextos além do equestre.

As características equinas transformam estes animais em elementos facilitadores e co-terapeutas, sendo capazes de alterar respostas do sistema nervoso central e de fomentar vivências fundamentais para o desenvolvimento de competências cognitivas e psicossociais.

Os equinos para poderem ser co-terapeutas têm que apresentar um temperamento calmo, estável e paciente, têm que ser saudáveis, musculados e com andamentos regulares e impulsionados, de modo a proporcionarem uma intervenção adequada.

REFLEXÃO
Consideramos esta noticia relevante na medida em que nos apresenta as diferentes vertentes que pode ter a equitação para as pessoas com necessidades especiais, indo totalmente ao encontro do que lecionamos da disciplina e aprendemos acerca do tema.

Referindo a matéria lecionada na unidade curricular, neste tipo de intervenção, o psicomotricista contribui com os seus conhecimentos, com a sua expêriencia, com técnicas, materiais e recursos físicos e o cavalo é um co-terapeuta tendo o papel de mediador, contribuindo com as suas características próprias conjugadas com a intervenção do terapeuta. No entanto, a equipa técnica não se restringe apenas ao cavalo e ao terapeuta, contempla também um líder e um auxiliar durante a sessão.

Assim podemos observar que esta terapia requer uma equipa e um trabalho multidisciplinar de modo a proporcionar ao cliente uma intervenção segura e adequada às suas necessidades específicas, e que acarreta imensos benefícios ao nível socio-emocional, de aprendizagem corporal e psicomotor.

Como futuras psicomotricistas é importante termos conhecimento dos diferentes contextos de intervenção e dos seus benefícios para o individuo, de modo a que possamos melhorar a sua vida e competências da melhor maneira.
               

Grande reportagem - Os tratadores


(clique na imagem para ver a reportagem)

Esta reportagem foi realizada pela SIC Noticias, e retrata alguns exemplos de casos reais em Portugal que usufruem de terapias assistidas por animais, em diversos contextos que iremos apresentar de seguida. 

Terapia Assistida por Cães
1ª Caso
Tiago é um menino do 3º ano com dislexia, que apresentava dificuldades na leitura, encontrando-se ao nível de uma criança de 1º ano nesse aspeto. O projeto piloto “Ler Cãofiante” (2013) foi aplicado na sua turma, na Escola EB 1 de Silves.

Este projeto utiliza o Momo, um cão, como mediador da terapia, em que a sua tarefa é ouvir as crianças a ler.

Tiago conta que gosta de ler para o Momo porque este o acalma, não reclama quando a sua leitura não é correta, apenas vira a cabeça (algumas vezes), e a sua atitude é diferente da dos adultos em geral, ficando o Momo atento ao que ele está a dizer. Quando o Momo fica atento, dá-me mais coragem para eu ler “refere o menino.

Este menino fez uma progressão constante com esta terapia, tendo iniciado com uma postura de frustração, baixa autoestima e medo de se expor devido à sua problemática. Este projeto fez disparar os índices e desejos de leitura das crianças que usufruíram da presença do Momo, no caso particular do Tiago, este passou a desejar ler em público por iniciativa própria e obteve uma cotação de 65% no exame nacional de 4º ano.

2º Caso
Lucas, um adolescente de 17 anos com problemas de comportamento, participou no Projeto “Cãopetências para a vida” que decorreu no seu estabelecimento de ensino, a Escola EB2/3 João de Deus.

Este projeto foi apoiado pela Câmara Municipal de Silves e consiste no treino e comando do cão por parte dos adolescentes com supervisão da terapeuta.

O Lucas refere que anteriormente era uma pessoa agressiva, bruta e que não sabia conversar com os outros, e confessou que ao inicio não acreditava que a terapia pudesse resultar, no entanto o facto de não poder “falar mal” com o cão, visto que este poderia ficar agressivo para consigo, fez com que ficasse progressivamente mais calmo, que tivesse consciência da mudança que estava a ocorrer consigo e refere que atualmente se houver algum conflito, já pensa antes de agir, evitando partir para a agressividade.

A terapeuta mencionou que o Lucas nunca faltou à terapia, justificando que era uma atividade em que ele tinha prazer e interesse e onde se sentia bem com os cães porque estes não o julgavam, não o criticavam e transmitiam-lhe prazer e tranquilidade, motivando assim os adolescentes a participar na terapia.

3º Caso
Esta reportagem mostra-nos ainda benefícios da terapia com cães em reclusos de estabelecimentos prisionais, podendo estas alterações ser observadas durante a terapia e no dia-a-dia do individuo nos diversos contextos.

4º Caso
O Pedro é um adulto com autismo que usufrui de terapia assistida por animais. Inicialmente a sua participação era retraída e distante, tendo-se começado a aproximar progressivamente. Esta terapia com a cadela Pipa, promoveu o seu desenvolvimento social, ao nível do olhar para o outro e da comunicação com o outro, característico da sua patologia.

5ª Caso
Quintino, idoso com stress pós traumático tem terapia com a Surya, uma cadela, no Hospital Psiquiátrico do Centro hospitalar Conde de Ferreira onde está internado. É uma pessoa que se isola, que reage pouco a estímulos externos, deambula pelo espaço, se apresenta depressivo e não comunica verbalmente.

Na primeira sessão com a Surya e os terapeutas, o Quintino verbalizou e referiu recordações dos animais que tinha antigamente, no entanto quando é solicitada comunicação com os terapeutas, este não o faz, apenas interage com o animal, tanto espontaneamente como quando solicitado.

No mesmo centro hospitalar, foi implementado em 2012, um projeto piloto na enfermaria feminina com terapia assistida por cães para as pessoas com esquizofrenia. Neste projeto foram estabelecidos objetivos tanto individuais como gerais, tendo sido atingidos com a intervenção, e muitas vezes superiores aos que se esperava, pelo que posteriormente este projeto foi alargado a todo o centro hospitalar.

“É uma terapia de que eu gosto tanto, porque ao menos estou distraída” refere Patrícia, uma utente desta terapia que começou a perceber que a agressividade não era o melhor modo de resolver os problemas.


Com estes testemunhos podemos observar que esta terapia beneficia os indivíduos na medida em que:
  •  Aumenta o prazer e o bem-estar;
  •  Aumento da empatia;
  • Aumento da autoestima;
  • Promove a resistência à frustração e à agressividade;
  • Visa combater o isolamento;
  •  Abranda o ritmo cardíaco e respiratório;
  • Reduz a pressão arterial e o nível de stress das crianças;
  •          O cão proporciona à criança o toque essencial à relação;
  • Promove a redução de conflitos entre pares, e no caso dos reclusos entre estes e para com os profissionais;
  • Promove o desenvolvimento social e da linguagem;
  • Ajuda para os professores que não sabem lidar com os alunos.
É ainda de salientar que os munícipes do conselho de cascais têm acesso gratuito a terapias assistidas por cães (Pi) no Espaço S, com uma equipa multidisciplinar.

Terapia Assistida por Cavalos
Caso
Mariana é uma adulta de 32 anos, dependente de drogas, que optou por utilizar a terapia assistida por equinos como uma possibilidade de intervenção.

O foco deste tipo de intervenção é a área da saúde mental, das problemáticas de comportamentos, intervindo na família.

Nathalie Durel estudou o comportamento do cavalo perante as variadas reações das pessoas, utilizando o seu estudo no seu trabalho como terapeuta. Através deste método, o cavalo ajuda o individuo a ir percebendo o que se passa consigo, e ao próprio terapeuta qual a genuidade da instrução do cliente, possibilitando a chegada mais rápida e facilitada das conclusões.

Inicialmente a Mariana apresentava um estado depressivo, sem esperança e credibilidade. A Mariana referiu que se a terapia fosse realizada apenas pela técnica, ela poderia manipular o discurso, não sendo verdadeira. Com a égua, não o consegue fazer porque os cavalos sentem o que nós sentimos, o que faz com que necessitemos de ser genuínos, pois ele reagirá de acordo com o que lhe transmitirmos.

O contacto com Samara, a égua, permitiu à Mariana ganhar confiança, perceber o que ia mudando dentro de si, a importância da mudança e necessidade da disposição total para o fazer, tendo melhorado a sua qualidade de vida e modo de pensar.

REFLEXÃO
A presente reportagem despertou-nos imenso interesse, permitiu-nos observar o investimento cada vez maior nas terapias assistidas por animais em diversos contextos, desde estabelecimentos de ensino, hospitais psiquiátricos e estabelecimentos prisionais. Esta é uma forma de intervenção que acima de tudo motiva os indivíduos a participar na terapia de um modo mais lúdico, não requerendo tanto o pensamento de que se está numa terapia porque tem alguma problemática, e essa motivação e interesse é notável nos testemunhos apresentados pelas diferentes pessoas.

Para nós, é surpreendente ver o que os animais, em conjunto com os técnicos das diferentes áreas, conseguem desenvolver junto das pessoas com as mais variadas necessidades, como é que a simples adição do animal à terapia pode melhorar tanto e mais rapidamente a qualidade de vida de cada um dos casos apresentados, além de que as pessoas quando questionadas, reconhecem que isso foi benéfico para si, referindo muitas das vezes, que provavelmente se o animal, seja o cão ou o cavalo como são os presentes exemplos, não estivesse presente e ao seu lado neste caminho, não o teriam continuado ou não teria o mesmo impacto.

Deste modo, enfatizamos cada vez mais a evolução e o reconhecimento dos animais como co-terapeutas dos técnicos. O facto de estar presente um animal na terapia, já faz com que o cliente esteja mais disponível para a participação porque o animal não o irá julgar, criticar ou humilhar, e isso transmite ao utente uma maior segurança e pré disposição para a atividade. A presença de um elemento distráctil e mais lúdico na intervenção além do terapeuta, permite ainda ao individuo não ter que encarar de forma tão direta a sua problemática, mantendo o foco maioritariamente nos seus progressos e pontos fortes que vão sendo observados e não tanto no problema em si, como estão habituados e cansados que o seja pela sociedade em geral.

Concluindo, os animais “obrigam-nos” a ser genuínos e a pensar antes de agirmos, mudando assim o nosso modo de pensar e os nosso comportamentos, pois eles têm uma perceção diferente e mais sensível às atitudes das pessoas, não falam verbalmente como os humanos, mas iram reagir e despoletar emoções em nós próprios de acordo com a ação que tivermos para com ele, e aos poucos, com o seu amor relacional para connosco, vão melhorando a nossa vida, os nossos pontos fracos e as nossas capacidades.

Experiência Pessoal de um Workshop de TAA

No dia 30 de Março de 2015 tive a oportunidade de assistir a um pequeno workshop sobre as Terapias Assistidas por Animais (TAA), com uma duração de cerca de 1 hora e 30 minutos. Este workshop foi realizado na Faculdade de Motricidade Humana pela Gladys Malafaia, que foi também a pessoa responsável por nos dar a aula de Modelos de Intervenção em Psicomotricidade sobre esta temática. 

O mais interessante neste workshop comparativamente com outros já realizados, foi o facto de nos ser possível experienciar uma componente mais prática, nomeadamente através da realização de uma atividade com um cão.

Inicialmente a Gladys apresentou-nos um pouco sobre o que são as TAA, algo que me foi benéfico no futuro uma vez que quando tivemos a aula sobre esta temática já sabia algumas coisas sobre o assunto. Mal soube que este workshop iria ocorrer decidi participar pois sempre gostei muito de animais e, para além disso, sei o quanto eles podem ser benéficos para nós e para a nossa saúde, não só em termos físicos mas também psicológicos. Sendo assim, queria perceber em que sentido é que eles poderiam ser benéficos em âmbito terapêutico, algo que consegui entender neste dia.

No entanto, a Gladys não se focou apenas nos benefícios deste tipo de terapia. Apresentou-nos também algumas informações importantes sobre como devemos lidar com o animal, neste caso, o cão. Este deve ser treinado de forma a respeitar o seu treinador sempre que este lhe dá uma ordem e deve também respeitar as restantes pessoas com quem está em contacto, uma vez que este é um aspeto essencial durante o processo de intervenção.

Foi bastante interessante pois todos nós que estivemos presentes no workshop tínhamos a tendência em chamar o cão para que ele viesse para ao pé de nós, no entanto, bastava a Gladys fazer um sinal que o cão "desligava-se" completamente de nós e ia ter com ela, demonstrando assim o quanto a respeita. Percebo que isto seja algo importante pois mesmo que um cão seja dócil, podem sempre ocorrer situações que não o deixam confortável e que o podem levar a ser de certa forma mais agressivo com as pessoas (neste caso, os clientes que estão a usufruir da terapia), sendo assim importante existir uma figura que seja capaz de travar essa agressividade. Não nos podemos esquecer que os animais não têm voz, mas têm comportamentos que nos permitem perceber de que modo ele está a encarar a situação, sendo essencial o terapeuta estar atento a esses mesmos comportamentos.

A atividade prática foi mais ligada à Psicomotricidade (conceito), no entanto não deixa de ser possível adaptá-la de acordo com a população. A Gladys vestiu ao seu cão um fato com velcro e colocou nesse fato diversas palavras tais como psicomotricidade, tonicidade, agnosia, equilibração, etc. (tal como é possível ver na imagem). A atividade consistia em a Gladys dizer as definições dessas palavras e nós termos que adivinhar a que palavra corresponde.

Reparei que durante este processo o cão esteve sempre a deslocar-se de um lado para o outro, ou seja, quando a Gladys dizia a definição ele estava ao pé dela, mas quando era necessário nós adivinharmos qual a palavra ele vinha para ao pé de nós para a retirarmos do seu fato. Sempre que ia para ao pé da Gladys, esta dava-lhe um biscoito pelo bom trabalho.


Achei esta atividade particularmente interessante pois permitiu trabalhar a associação de conceitos mas de uma forma muito mais divertida e que nos colocou muito mais à vontade. Nunca pensei que poderia ser realizada uma atividade deste género com um animal, o que me fez ter um olhar diferente sobre este tipo de terapias no sentido em que estas não têm que ser vistas como sendo terapias complexas, mas sim como uma forma de podermos adaptar as atividades que desenvolvemos normalmente em Psicomotricidade e acrescentar o elemento animal, que por si só é benéfico para o processo.

Paula Rodrigues

Ethical Issues and Questions about Therapy Effectiveness

Este capítulo pertence ao livro Animal-Assisted Therapy de Donald Altschiller, publicado em 2011. Seguidamente iremos apresentar o seu resumo e, de seguida, uma reflexão sobre o mesmo.

Este capítulo faz ênfase aos problemas éticos associados às Terapias Assistidas por Animais (TAA), não só relativamente aos resultados do contacto entre a pessoa e o animal, mas também relativamente ao modo como este tipo de terapia pode trazer consequências negativas para estes seres vivos.

O autor refere que a questão mais controversa dentro desta temática, é o modo como os animais são tratados durante a realização destas terapias. Sendo assim, o enfoque do capítulo não será apenas contestar o modo como é feita a avaliação nas TAA, mas também as preocupações relativamente ao modo como os cães que fazem visitas a instituições são tratados e, mais especificamente, é abordada a controvérsia sobre a utilização de golfinhos em âmbito terapêutico.

Quanto à avaliação nas TAA, existe uma quantidade relativa de literatura que refere que este tipo de terapia tem efeitos benéficos não só em termos fisiológicos mas também psicológicos, no entanto, têm vindo a ser levantadas algumas questões quanto a este facto.

Beck e Katcher (2003) referem que as práticas desenvolvidas nas TAA não apresentam objetivos que permitem uma orientação e, mesmo quando os objetivos são devidamente identificados, o modo de avaliação não está bem esclarecido. O autor do livro refere que este ceticismo pode estar associado ao facto de grande parte dos estudos realizados neste âmbito apenas demonstram os efeitos a curto-prazo. Por outro lado, outros autores levantam a questão de não se ter em conta o companheirismo animal, no entanto, mesmo os estudos que têm em consideração este fator levantam dúvidas a alguns profissionais de saúde.

Neste sentido, dois investigadores analisaram os estudos realizados no âmbito da interação homem-animal e conseguiram concluir que é bastante comum encontrar conclusões precipitadas relativamente à eficácia destes programas terapêuticos quando o tipo de intervenção não foi de qualquer forma avaliado. Para além disso, os investigadores encontraram também por diversas vezes conclusões generalizadas. Por outro lado, vários autores têm citado uma grande quantidade de estudos qualitativos que demonstram que as TAA são efetivamente benéficas, não existindo assim um consenso relativamente a esta temática.

Entrando na temática do modo como os animais são tratados, o autor do livro não faz apenas referência às TAA mas também às Atividades Assistidas por Animais (AAA). Um dos aspetos mais referidos dentro destes programas, é o modo como estes podem induzir stress nos animais levando a certas respostas tais como tremores, espasmos musculares e produção excessiva de saliva, sendo bastante importante o terapeuta ter conhecimento destes tipos de respostas.

Especificando para a questão dos cães que realizam visitas a instituições, o autor refere que o seu bem-estar irá depender muito do ambiente institucional e do conhecimento e experiência que o seu dono (e.g.: terapeuta) tem. Alguns terapeutas referem que as visitas a instituições devem demorar no máximo uma hora, no entanto, não existe um consenso quanto ao tempo necessário para que a visita seja produtiva para a pessoa institucionalizada. Este é um fator que pode levar ao stress do animal, algo que muitas vezes não é percecionado pelo terapeuta, fazendo assim com que a intervenção seja apenas benéfica para a pessoa.

O facto de as pessoas que vivem em instituições poderem magoar os cães é também algo a ter em atenção. Os cães que trabalham com pessoas com deficiência motora podem sofrer lesões físicas devido ao trabalho que necessitam de desenvolver com estes (e.g.: ajudar o cliente a levantar ou sentar, empurrar uma cadeira de rodas, etc.).

Apesar de os cães serem os animais mais predominantemente usados neste contexto, em alguns casos são também utilizados gatos e pássaros, os quais pedem cuidados redobrados devido ao facto de serem mais pequenos e, consequentemente, mais frágeis. O transporte do animal para o local, é também uma situação bastante geradora de stress que deve ser tida em consideração. Igualmente, em alguns locais são utilizados macacos, nomeadamente para auxiliar pessoas com deficiência motora. Neste caso, já foram reportadas bastantes situações em que os dentes dos animais foram removidos ou em que estes recebiam constantes choques elétricos de forma a não se tornarem agressivos para com os clientes usufruidores da terapias.

O autor refere ainda que apesar de se acreditar que as TAA e as AAA são benéficas tanto para a pessoa como para o animal, o que é certo é que grande parte dos animais não corresponde ao que é desejado durante o treino necessário para poderem participar neste tipo de terapia/atividades.

Por último, geralmente nas TAA são utilizados animais de raça (e.g.: golden retrivier) devido ao facto de apresentarem características que lhes permitem estar mais facilmente em contacto com outras pessoas. No entanto, isto levanta questões éticas relativamente à procriação uma vez que procriar dentro da mesma geração leva a problemas físicos, psicológicos e a uma maior incidência de doenças nos animais.

Quanto à delfinoterapia, vários estudos têm referido os seus efeitos benéficos em indivíduos com autismo ou com dificuldades intelectuais. No entanto, esta é uma terapia que se tem demonstrado nada benéfica para os golfinhos. O facto de estes estarem confinados a um tanque, despertou em muitos casos comportamentos de agressividades e o facto de este ser um espaço bastante reduzido, promover também uma grande variedade de infeções bacterianas. Este espaço leva ainda a que os golfinhos percam as capacidades necessárias para navegarem nas águas. Para além disso, uma autora ao analisar diferentes estudos conseguiu perceber que a delfinoterapia não é mais eficaz no processo de aprendizagem ou no desenvolvimento socioemocional das crianças, em comparação com qualquer outra terapia.

Concluindo, a delfinoterapia apresenta efeitos negativos não só para os animais mas também para as pessoas, efeitos estes que são difíceis de ultrapassar.

REFLEXÃO
Relativamente à questão da avaliação nas TAA, consideramos que esta foi pertinente uma vez que este é um assunto que não foi abordado na disciplina (exceptuando para a Equitação com Fins Terapêuticos). Sendo a avaliação uma componente importante no âmbito da Psicomotricidade, torna-se igualmente importante perceber um pouco mais o modo como esta se processa neste tipo de terapias uma vez que estas podem ser utilizadas de forma complementar à terapia psicomotora.

Quanto a este assunto, a ideia que ficou foi a de que muitas vezes esta terapia não apresenta objetivos e, quando os apresenta, o modo como a avaliação é feita não está claro. Tendo em conta que os objetivos são uma componente essencial de qualquer intervenção pois permitem definir a intencionalidade terapêutica, achamos que nesta terapia isto é algo que deveria sempre ocorrer, sendo estes definidos de acordo com a pessoa e também de acordo com o animal a ser utilizado.

Relativamente aos efeitos das TAA, na aula foram apresentados diversos benefícios nas mais variadas populações (e.g.: depressão, crianças e adolescentes com PEA, gerontes, etc.) e com base em diversos estudos, indo assim ao encontro do que é referido no capítulo de que grande parte dos estudos apresentam resultados positivos quanto à implementação das TAA.

Considerámos este capítulo particularmente interessante devido ao facto de abordar as questões éticas associadas ao tratamento dos animais utilizados nas TAA. Tal como referido nas aulas sobre esta temática, o terapeuta não se deve preocupar unicamente com o bem-estar do cliente e com a promoção da sua funcionalidade e independência, sendo assim necessário ter também em conta o bem-estar do animal uma vez que este tem de ser um processo prazeroso para ambos.

Deste modo, analisando o capítulo, é possível perceber que o terapeuta durante as sessões deve analisar os comportamentos do animal, com o intuito de perceber se aquela é uma situação que lhe estará a aumentar os níveis de stress. Se for o caso, pensamos que talvez seja preferível afastar o animal do local e permitir que este faça algo que lhe permita sentir-se melhor (e.g.: passear, brincar, etc.), podendo este posteriormente voltar para o local. Se as respostas de stress persistirem, poderá ser melhor o terapeuta optar por escolher outro animal que se adapte melhor ao contexto da sessão, algo que também foi referido durante as aulas da disciplina.

Este artigo tocou ainda outro ponto interessante, nomeadamente o facto de neste tipo de terapias serem utilizados maioritariamente animais de raça. De acordo com o que aprendemos na aula sobre esta temática, a ideia de que os animais de raça são os únicos adequados para esta prática está errada, uma vez que, por exemplo, um cão rafeiro pode ser tão bom coterapeuta quanto um cão golden retrivier. De facto esta raça apresenta características próprias que fazem com estes animais sejam mais sociáveis, no entanto, desde que o cão rafeiro apresente essas mesmas características, este pode ser utilizado neste tipo de terapias. Este foi um aspeto que também já referido anteriormente (no post sobre as TAA) e que nós achamos pertinente salientar, uma vez que os cães rafeiros são muitas vezes excluídos e menos desejados por não serem considerados puros, no entanto, podem apresentar tantas capacidades como qualquer outro cão. 

Por último, quanto à delfinoterapia, já estávamos à espera de ler este tipo de perspetiva uma vez que este foi um assunto abordado durante a aula. A população em geral tem a ideia de que os golfinhos são animais que desejam comunicar com os seres humanos e estar em contacto com estes, no entanto, tal como pudemos aprender, o facto de os golfinhos estarem em contacto com o ser humano é por si só uma situação geradora de stress. Adicionando as informações presentes no capítulo, o modo como os golfinhos são tratados é também malicioso para eles e, neste caso, também para os humanos uma vez que estes animais se podem tornar agressivos. Sendo assim, achamos que este tipo de terapia deve ser completamente evitado, devendo antes o terapeuta procurar outras soluções, dentro ou fora do âmbito das TAA.

Bibliografia: Altschiller, D. (2011). Animal-Assisted Therapy. Greenwood

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

"O Efeito de um Programa de Equoterapia no Desenvolvimento Psicomotor de Crianças com Indicativos de Transtorno de Déficit da Atenção e Hiperatividade"

De acordo com Pereira, Araújo e Mattos (2005 cit in Barbosa e Munster, 2014), as crianças com Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), desde os anos 70, têm sido diagnosticadas com algumas diferenças no movimento, tanto em qualidade como em quantidade, quando comparadas com crianças ditas "normais", observando-se desregulação da atividade motora.
Estas inadequações motoras e comportamentais são bastante evidentes no ambiente escolar, apesar de se notar noutros contextos onde a criança se insere (Barbosa e Munster, 2014).

Segundo vários autores, citados por Barbosa e Munster (2014), a hipoterapia, através dos movimentos tridimensaionais do cavalo, oferece grandes benefícios a estas crianças (Sterba et al, 2002; Meregillano, 2004; Graup, Oliveira e Link, 2006; Copetti et al, 2007; Murphy, Kahn-D'Angelo e Gleason, 2008; Negri, Arruda e Cunha, 2008; Frank, McCloskey e Dole, 2011). Medeiros e Dias (2002 cit in Brbosa e Munster, 2014), neste sentido, referem que esses benefícios provêm do alinhamento do centro de gravidade homem-cavalo, melhorando o equilíbrio, a tonicidade, o alinhamento e consciência corporal, a coordenação motora e a força muscular.

No sentido de perceber o efeito de um programa de educação/reeducação de hipoterapia no desenvolvimento psicomotor de crianças com PHDA, Barbosa e Munster (2014) realizaram um estudo que consistiu na aplicação desse programa a cinco crianças com PHDA, com idades entre os 7 e os 10 anos, dividido por 24 sessões, duante três meses. Estas sessões tinham caráter individual. Os aspetos que os autores avaliaram, relativamente ao seu desenvolvimento, foram a motricidade fina e global, o equilíbrio, a noção corporal, a estruturação espácio-temporal e a lateralização.
Com a análise dos resultados, os autores concluíram que este programa teve, de facto, uma inflência positiva no desenvolvimento psicomotor das crianças com PHDA que participaram no estudo, visto que todas as crianças aumentaram a sua idade motora geral. Também se observaram respostas adaptativas, por parte destas crianças, que promoveram os benefícios psicomotores. Por fim, os autores também referiram que este é um tipo de intervenção que oferece inúmeros estímulos diferenciados que influenciam de forma positiva os aspetos observados, através da interação com o cavalo e com a natureza. 

 REFLEXÃO
Através da leitura deste artigo, conseguimos ter uma maior e melhor noção acerca dos benefícios deste tipo de terapia e, principalmente, em crianças com PHDA.
Como futuras psicomotricistas, temos interesse em perceber e saber os benefícios desta terapia, uma vez que o nosso enfoque vai ser melhorar o desenvolvimento e condições de vida dos nossos pacientes da melhor maneira possível e, como tal, é importante ter uma visão e conhecimento abrangente das terapias que nos vão permitir chegar aos nossos objetivos de uma maneira "rápida" e eficaz. Podemos não trabalhar diretamente com esta terapia, mas podemos acompanhar através da integração da equipa de terapia do indivíduo.
É ainda do nosso interesse ter noção de como é que os cavalos, como seres irracionais, podem ser nossos co-terapeutas e ajudantes.

Artigo:  Barbosa, G. e Munster, M. (2014). O Efeito de um Programa de Equoterapia no Desenvolvimento Psicomotor de Crianças com Indicativos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Revista Brasileira de Educação Especial. 20(1). 69-84. Consultado em dezembro de 2016, no sítio: http://www.scielo.br/pdf/rbee/v20n1/a06v20n1.pdf

Entidades importantes no âmbito das TAA

Centro para o Conhecimento Animal

O Centro para o Conhecimento Animal surge numa sociedade cada vez mais consciente e exigente em matérias relacionadas com o comportamento e bem-estar animal e tem como objetivo dar resposta a muitas questões que cada vez mais frequentemente se levantam.

Visite: http://www.cpcanimal.pt/


Pessoas e Animais. Uma Ligação para a Vida.

Site onde é possível ficar a saber muito mais não só sobre as Terapias Assistidas por Animais, mas também relativamente a Atividades Assistidas por Animais.
Visite: http://www.pravi.org/taa.php




Ânimas - Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social


A Ânimas tem como principal objetivo partilhar os cães de serviço de forma a ajudar indivíduos com problemas a nível motor na realização das mais diversas tarefas, assim como promover programas de atividades assistidas por animais e ações de formação.








Associações/Instituições que dispõem de Terapias Assistidas por Animais

Academia Equestre João Cardiga

Academia Equestre João Cardiga, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social - IPSS, com sede nas instalações do Centro Hipico, com o mesmo nome, fundado em 1992. É uma instituição reconhecida e homolgada pelo Instituto do Desporto e Juventude, Federação Equestre Portuguesa e Escola Nacional de Equitação.
Este local dispõe de Equitação com Fins Terapêuticos.
Visite: http://www.academiaequestrecardiga.pt/ 

CerciOeiras
A CerciOeiras tem como missão integrar, educando, reabilitando e cuidando, ao longo da vida, os clientes e suas famílias, com excelência e sustentabilidade.
Este local desenvolve atividades no âmbito da Equitação Terapêutica no picadeiro da Academia Equestre João Cardiga e dispõe ainda de Terapias Assistidas por Animais.
Visite: http://www.cercioeiras.pt/

Colégio As Descobertas
Enquanto percurso educativo o nosso objectivo consiste em criar a igualdade de oportunidades para promover o acesso e sucesso educativo, estimular o intelecto e a formação pessoal e social, com a finalidade de fomentar a integração sócio-profissional de cidadãos autónomos, responsáveis e tolerantes.
O nosso propósito, enquanto Centro de Actividades Ocupacionais “As Descobertas” é desenvolver actividades que promovam a capacitação e a aquisição de competências sociais necessárias para uma melhor inserção familiar e comunitária, assegurando condições de vida digna.
O Colégio As Descobertas dispõe de Hipoterapia para os seus alunos.

Associação Quinta Essência
A missão da Associação QE é maximizar a autonomia e integração social de pessoas com atraso de desenvolvimento intelectual, maiores de 16 anos.
A Associação QE procura conjugar as potencialidades de um modelo de socialização, no qual se destaca o contributo fundamental das famílias e das redes naturais e sociais de suporte, com a necessidade da criação de relações individualizadas e significativas, promotoras de desenvolvimento humano.
O canil, a casa dos animais e a estufa constituem a Quinta, espaço terapêutico de contacto com a natureza que pretende complementar um desenvolvimento equilibrado dos seus alunos.
Visite: http://quintaessencia.pt/index.php

Associação Vinculum Animal
A associação Vinculum Animal é constituída por uma equipa jovem, dinâmica e bastante motivada, formada por profissionais da área da saúde humana e animal. Têm como objetivo contribuir para a divulgação e desenvolvimento da relação estabelecida entre humanos e animais.
Visite: http://www.vinculumanimal.pt/wp/ 






Associação Hípica e Psicomotora de Viseu
Fundada em 2014 para responder uma necessidade na área social, recreativa e terapêutica no Distrito de Viseu.
Conta com uma equipa multidisciplinar nas vertentes equestre e terapêutica e destina-se a indivíduos com diversos tipos de deficiências ou necessidades educativas especiais, sejam elas crianças, adultos e idosos. Pretende estimular as potencialidades dos seus utentes através de um ambiente natural de cumplicidade entre cavalo-homem.  
Visite: http://ahpv.pt/

Farm Animal-Assisted Intervention: Relationship between Work and Contact with Farm Animals and Change in Depression, Anxiety, and Self-Efficacy Among Persons with Clinical Depression"

Artigo escrito por Pederson, Martinsen, Berget & Braastad (2011)

Este artigo pretende analisar qual a relação entre vários elementos de uma intervenção assistida por animais de uma quinta e as modificações que esta pode ter na depressão, ansiedade e a perceção de auto-eficácia de pessoas com depressão. Para tal, os autores utilizaram como amostra um grupo de 14 pessoas, três homens e 11 mulheres, com idades compreendidas entre os 23 e os 54 anos e que correspondiam a todos os critérios apresentados pelo DSM-IV para a depressão major.

A intervenção consistiu no trabalho e contacto com animais de uma quinta, duas vezes por semana durante 12 semanas, tendo as sessões uma duração entre 1 hora e meia e 3 horas. Numa primeira sessão, os participantes visitaram o local para se familiarizarem com este e, nas sessões seguintes, foi lhes pedido que realizassem tarefas juntamente com o fazendeiro no estábulo, nomeadamente, cuidar das vacas. Dentro destas tarefas inclui-se: ordenhar, alimentar, limpeza, mover os animais, alimentar os bezerros com leite, pentear, remover o estrume e o lixo, contacto físico com os animais, observá-los, dialogar com o fazendeiro e ainda, falar com os animais.

Com a realização deste estudo os autores concluíram que houve um declínio nos sintomas depressivos e de ansiedade e um aumento da capacidade de a pessoa em perceber que pode ser eficaz. Estes resultados positivos associados à saúde mental, estão relacionados com atividades específicas nomeadamente ordenar, alimentar, limpar, mover os animais e dialogar com o fazendeiro. Por outro lado, pentear as vacas, remover o estrume e o lixo e o facto de por vezes contactarem com apenas um animal, não teve efeitos positivos, pelo contrário.

Quanto ao primeiro grupo de atividades, estas caracterizam-se por serem mais complexas, algo que poderá explicar o resultado positivo. O facto de os participantes do estudo necessitarem de desenvolver novas capacidades de trabalho permite que consequentemente adquiram novas estratégias de coping e, sendo este um elemento essencial na gestão dos sintomas depressivos e de ansiedade, traduziu-se assim num efeito positivo em termos de saúde mental. Já o segundo grupo de atividades não implica este tipo de aquisição, podendo assim segundo os autores explicar a correlação negativa.

Um resultado surpreendente foi o facto de que o contacto direto com os animais não teve um efeito positivo nos participantes. No entanto, os autores colocam em evidência uma grande quantidade de estudos que demonstram que o contacto com animais de companhia é efetivamente benéfico para a saúde mental. Sendo assim, estes explicam que este resultado pode estar associado ao facto de este contacto com os animais só existir devido à "obrigação" em realizar as atividades de trabalho anteriormente descritas.

O diálogo com o fazendeiro demonstrou ser essencial uma vez que permitiu aos participantes terem um apoio social a que os autores chamam de "ferramenta terapêutica".

Concluindo, neste estudo em específico os autores puderam perceber que o contacto com animais de um quinta é positivo para a saúde mental de pessoas com sintomas de depressão e ansiedade, mas apenas quando este contacto está relacionado com o desenvolvimento de capacidades de trabalho.

REFLEXÃO
Achamos este artigo particularmente interessante uma vez que aborda uma perspetiva diferente das Terapias Assistidas por Animais, nomeadamente o facto do enfoque serem animais pertencentes a uma quinta, mais precisamente, vacas.

Estes são animais que não são considerados por muitos como um animal de companhia, mas sim como apenas um meio de obter diversos alimentos (e.g. leite, queijo, iogurtes, etc.), daí também termos achado uma boa ideia apresentar este artigo uma vez que nos permite ter uma perceção diferente destes animais e do modo como eles podem ser benéficos para a saúde (neste caso, mental) das pessoas.

Apesar de no estudo em causa não ter ocorrido uma relação positiva entre o contacto com estes animais e os efeitos nos sintomas dos participantes, os autores enfatizam que este acontecimento pode estar apenas relacionado com o facto de o contacto ter sido feito com base em atividades de trabalho, ou seja, não foi dada a oportunidade de as pessoas estarem em contacto com as animais por puro prazer e de forma espontânea. Isto poderá querer dizer que, quando utilizamos os animais como forma de terapia/intervenção, será importante criar atividades que transmitam sentimentos de bem-estar ao cliente, de forma a que a terapia não seja vista como uma obrigação e podendo assim prejudicar os efeitos desta. Com base em diversos autores e outros estudos realizados, Pederson, Martinsen, Berget & Braastad (2011) desde início que salientaram a importância dos animais de companhia, nomeadamente como tendo efeitos benéficos nos sintomas depressivos e de ansiedade, sendo assim este um tipo de terapia a considerar nesta população.

Este estudo demonstrou-se também interessante pois o fazendeiro constituiu uma pessoa essencial durante a intervenção, mais precisamente como uma forma de providenciar apoio social. A questão do apoio social foi bastante abordada este semestre, no sentido em que constitui uma base de suporte bastante importante capaz de influenciar o modo como o processo de intervenção ocorre. Sendo assim, em qualquer terapia (incluindo a psicomotricidade) é importante que o técnico seja capaz de providenciar este tipo de apoio, sempre no sentido de também promover a autonomia do cliente e a sua independência (algo que também aconteceu no estudo em causa, uma vez que inicialmente o fazendeiro apenas dava ordens sobre o que era necessário fazer e, progressivamente, deixou de dar ordens e passou apenas a ser uma forma de os participantes poderem dialogar).


Bibliografia: Pederson, I., Martinsen, E., Berget, B. & Braastad, B. (2011). Farm Animal-Assisted Intervention: Relationship between Work and Contact with Farm Animals and Change in Depression, Anxiety, and Self-Efficacy Among Persons with Clinical Depression. Issues in Mental Health Nursing, 32, 493-500. doi: 10.3109/01612840.2011.566982