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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

"Equitação Especial no Seio da Psicomotricidade"

Artigo escrito por Faria e Santos (2007)


Este artigo retrata as diferentes vertentes existentes no âmbito da Equitação Especial, referindo ainda a quem estas se destinam, algumas contraindicações da sua prática e apresenta uma explicação relativamente à utilização do cavalo, aspeto em comum entre todas as vertentes.
Academia Equestre João Cardiga - Special Olympics Equitação 2015

De acordo com Uzun (2005 cit. in Faria & Santos, 2007) a Equitação Especial (EE) é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo nas áreas de saúde, educação e equitação. A EE divide-se em três vertentes, nomeadamente:
  • Hipoterapia – Este método utiliza o cavalo no âmbito de tratamento e não como forma de ensino de equitação. Nesta vertente, o indivíduo reage apenas ao movimento tridimensional do cavalo e adquire reações automáticas a partir deste, fazendo alguns ajustamentos para que permitam a manutenção do equilíbrio (Fitzpatrick, 1994 cit. in Faria & Santos, 2007);
  • Equitação Terapêutica - Destinada a pessoas com alguma incapacidade ou doença, ou a pessoas que apresentam capacidades para exercer alguma ação sobre o cavalo e que aprendem a montar ao mesmo tempo que beneficiam de terapia;
  • Equitação Desportiva Adaptada - É praticada por pessoas com dificuldades intelectuais, no sentido em que estas aprendem equitação e a modalidade de dressage, existindo uma futura possibilidade de competição (Uzun, 2005, cit in Faria & Santos, 2007).

A EE é uma forma de terapia que apresenta diversos objetivos, nomeadamente na melhoria de padrões fora do comum, do esquema corporal e postura, entre outros. Esta é recomendada nas seguintes situações (Uzun, 2005 cit. in Faria & Santos, 2007):
  • Crianças e adultos com disfunção neuromusculoesquelética;
  • Alterações do tónus muscular;
  • Problemas de comportamento;
  • Paralisia Cerebral;
  • Acidente Vascular Cerebral;
  • Atrasos do desenvolvimento;
  • Trissomia 21.

No entanto é necessário ter em atenção que existem patologias em que esta terapia não é a indicada, como é no caso de crianças com T21 com idade inferior a 3 anos ou em indivíduos com artrose coxofemoral, com coluna instável ou spina bífida.

Relativamente à importância da utilização do cavalo, Faria e Santos (2007) referem que este é indicado para a terapia com animais, pois apresenta andamentos semelhantes aos do Homem, em termos do número de passos que dá por minuto e do comprimento dos mesmos, o que permite que esta seja uma terapia com bastantes benefícios para quem a usufrui. 

REFLEXÃO
Este artigo foi importante no sentido em que nos permitiu consolidar a matéria lecionada na aula sobre a Equitação com Fins Terapêuticos (EFT) (no artigo referida como Equitação Especial). Dentro deste âmbito é importante percebermos que a EFT se divide em diferentes ramos, de acordo com o objetivo que se prentede atingir com o cliente em questão. Sabendo estas informações, a quando a aplicação destas práticas, poderá ser possível para o terapeuta providenciar um adequado plano de intervenção, de acordo com as características e expetativas da pessoa.

É também importante saber que tipo de populações não podem beneficiar desta terapia, uma vez que o objetivo do terapeuta é providenciar momentos que permitam a promoção das competências da pessoa e não a sua limitação. Para além das populações referidas, na aula focámos também nas pessoas com epilepsia, as quais não podem usufruir da EFT.

Um aspeto igualmente importante, é este artigo permitir fazer a ponte entre a equitação e a Psicomotricidade. Esta é assim uma terapia que tem efeitos benéficos no domínio motor, na postura e no esquema corporal, componentes estas que são também trabalhadas na nossa área. Sendo assim, quando em contacto com alguém em que é necessário trabalhar estes aspetos, o psicomotricista poderá utilizar a EFT como uma terapia complementar, capaz de providenciar um maior e melhor desenvolvimento do cliente.

Bibliografia: Faria, I. & Santos, S. (2007). Equitação Especial no Seio da Psicomotricidade. A Psicomotricidade, 9, 41-45.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

"O Efeito de um Programa de Equoterapia no Desenvolvimento Psicomotor de Crianças com Indicativos de Transtorno de Déficit da Atenção e Hiperatividade"

De acordo com Pereira, Araújo e Mattos (2005 cit in Barbosa e Munster, 2014), as crianças com Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), desde os anos 70, têm sido diagnosticadas com algumas diferenças no movimento, tanto em qualidade como em quantidade, quando comparadas com crianças ditas "normais", observando-se desregulação da atividade motora.
Estas inadequações motoras e comportamentais são bastante evidentes no ambiente escolar, apesar de se notar noutros contextos onde a criança se insere (Barbosa e Munster, 2014).

Segundo vários autores, citados por Barbosa e Munster (2014), a hipoterapia, através dos movimentos tridimensaionais do cavalo, oferece grandes benefícios a estas crianças (Sterba et al, 2002; Meregillano, 2004; Graup, Oliveira e Link, 2006; Copetti et al, 2007; Murphy, Kahn-D'Angelo e Gleason, 2008; Negri, Arruda e Cunha, 2008; Frank, McCloskey e Dole, 2011). Medeiros e Dias (2002 cit in Brbosa e Munster, 2014), neste sentido, referem que esses benefícios provêm do alinhamento do centro de gravidade homem-cavalo, melhorando o equilíbrio, a tonicidade, o alinhamento e consciência corporal, a coordenação motora e a força muscular.

No sentido de perceber o efeito de um programa de educação/reeducação de hipoterapia no desenvolvimento psicomotor de crianças com PHDA, Barbosa e Munster (2014) realizaram um estudo que consistiu na aplicação desse programa a cinco crianças com PHDA, com idades entre os 7 e os 10 anos, dividido por 24 sessões, duante três meses. Estas sessões tinham caráter individual. Os aspetos que os autores avaliaram, relativamente ao seu desenvolvimento, foram a motricidade fina e global, o equilíbrio, a noção corporal, a estruturação espácio-temporal e a lateralização.
Com a análise dos resultados, os autores concluíram que este programa teve, de facto, uma inflência positiva no desenvolvimento psicomotor das crianças com PHDA que participaram no estudo, visto que todas as crianças aumentaram a sua idade motora geral. Também se observaram respostas adaptativas, por parte destas crianças, que promoveram os benefícios psicomotores. Por fim, os autores também referiram que este é um tipo de intervenção que oferece inúmeros estímulos diferenciados que influenciam de forma positiva os aspetos observados, através da interação com o cavalo e com a natureza. 

 REFLEXÃO
Através da leitura deste artigo, conseguimos ter uma maior e melhor noção acerca dos benefícios deste tipo de terapia e, principalmente, em crianças com PHDA.
Como futuras psicomotricistas, temos interesse em perceber e saber os benefícios desta terapia, uma vez que o nosso enfoque vai ser melhorar o desenvolvimento e condições de vida dos nossos pacientes da melhor maneira possível e, como tal, é importante ter uma visão e conhecimento abrangente das terapias que nos vão permitir chegar aos nossos objetivos de uma maneira "rápida" e eficaz. Podemos não trabalhar diretamente com esta terapia, mas podemos acompanhar através da integração da equipa de terapia do indivíduo.
É ainda do nosso interesse ter noção de como é que os cavalos, como seres irracionais, podem ser nossos co-terapeutas e ajudantes.

Artigo:  Barbosa, G. e Munster, M. (2014). O Efeito de um Programa de Equoterapia no Desenvolvimento Psicomotor de Crianças com Indicativos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Revista Brasileira de Educação Especial. 20(1). 69-84. Consultado em dezembro de 2016, no sítio: http://www.scielo.br/pdf/rbee/v20n1/a06v20n1.pdf

Farm Animal-Assisted Intervention: Relationship between Work and Contact with Farm Animals and Change in Depression, Anxiety, and Self-Efficacy Among Persons with Clinical Depression"

Artigo escrito por Pederson, Martinsen, Berget & Braastad (2011)

Este artigo pretende analisar qual a relação entre vários elementos de uma intervenção assistida por animais de uma quinta e as modificações que esta pode ter na depressão, ansiedade e a perceção de auto-eficácia de pessoas com depressão. Para tal, os autores utilizaram como amostra um grupo de 14 pessoas, três homens e 11 mulheres, com idades compreendidas entre os 23 e os 54 anos e que correspondiam a todos os critérios apresentados pelo DSM-IV para a depressão major.

A intervenção consistiu no trabalho e contacto com animais de uma quinta, duas vezes por semana durante 12 semanas, tendo as sessões uma duração entre 1 hora e meia e 3 horas. Numa primeira sessão, os participantes visitaram o local para se familiarizarem com este e, nas sessões seguintes, foi lhes pedido que realizassem tarefas juntamente com o fazendeiro no estábulo, nomeadamente, cuidar das vacas. Dentro destas tarefas inclui-se: ordenhar, alimentar, limpeza, mover os animais, alimentar os bezerros com leite, pentear, remover o estrume e o lixo, contacto físico com os animais, observá-los, dialogar com o fazendeiro e ainda, falar com os animais.

Com a realização deste estudo os autores concluíram que houve um declínio nos sintomas depressivos e de ansiedade e um aumento da capacidade de a pessoa em perceber que pode ser eficaz. Estes resultados positivos associados à saúde mental, estão relacionados com atividades específicas nomeadamente ordenar, alimentar, limpar, mover os animais e dialogar com o fazendeiro. Por outro lado, pentear as vacas, remover o estrume e o lixo e o facto de por vezes contactarem com apenas um animal, não teve efeitos positivos, pelo contrário.

Quanto ao primeiro grupo de atividades, estas caracterizam-se por serem mais complexas, algo que poderá explicar o resultado positivo. O facto de os participantes do estudo necessitarem de desenvolver novas capacidades de trabalho permite que consequentemente adquiram novas estratégias de coping e, sendo este um elemento essencial na gestão dos sintomas depressivos e de ansiedade, traduziu-se assim num efeito positivo em termos de saúde mental. Já o segundo grupo de atividades não implica este tipo de aquisição, podendo assim segundo os autores explicar a correlação negativa.

Um resultado surpreendente foi o facto de que o contacto direto com os animais não teve um efeito positivo nos participantes. No entanto, os autores colocam em evidência uma grande quantidade de estudos que demonstram que o contacto com animais de companhia é efetivamente benéfico para a saúde mental. Sendo assim, estes explicam que este resultado pode estar associado ao facto de este contacto com os animais só existir devido à "obrigação" em realizar as atividades de trabalho anteriormente descritas.

O diálogo com o fazendeiro demonstrou ser essencial uma vez que permitiu aos participantes terem um apoio social a que os autores chamam de "ferramenta terapêutica".

Concluindo, neste estudo em específico os autores puderam perceber que o contacto com animais de um quinta é positivo para a saúde mental de pessoas com sintomas de depressão e ansiedade, mas apenas quando este contacto está relacionado com o desenvolvimento de capacidades de trabalho.

REFLEXÃO
Achamos este artigo particularmente interessante uma vez que aborda uma perspetiva diferente das Terapias Assistidas por Animais, nomeadamente o facto do enfoque serem animais pertencentes a uma quinta, mais precisamente, vacas.

Estes são animais que não são considerados por muitos como um animal de companhia, mas sim como apenas um meio de obter diversos alimentos (e.g. leite, queijo, iogurtes, etc.), daí também termos achado uma boa ideia apresentar este artigo uma vez que nos permite ter uma perceção diferente destes animais e do modo como eles podem ser benéficos para a saúde (neste caso, mental) das pessoas.

Apesar de no estudo em causa não ter ocorrido uma relação positiva entre o contacto com estes animais e os efeitos nos sintomas dos participantes, os autores enfatizam que este acontecimento pode estar apenas relacionado com o facto de o contacto ter sido feito com base em atividades de trabalho, ou seja, não foi dada a oportunidade de as pessoas estarem em contacto com as animais por puro prazer e de forma espontânea. Isto poderá querer dizer que, quando utilizamos os animais como forma de terapia/intervenção, será importante criar atividades que transmitam sentimentos de bem-estar ao cliente, de forma a que a terapia não seja vista como uma obrigação e podendo assim prejudicar os efeitos desta. Com base em diversos autores e outros estudos realizados, Pederson, Martinsen, Berget & Braastad (2011) desde início que salientaram a importância dos animais de companhia, nomeadamente como tendo efeitos benéficos nos sintomas depressivos e de ansiedade, sendo assim este um tipo de terapia a considerar nesta população.

Este estudo demonstrou-se também interessante pois o fazendeiro constituiu uma pessoa essencial durante a intervenção, mais precisamente como uma forma de providenciar apoio social. A questão do apoio social foi bastante abordada este semestre, no sentido em que constitui uma base de suporte bastante importante capaz de influenciar o modo como o processo de intervenção ocorre. Sendo assim, em qualquer terapia (incluindo a psicomotricidade) é importante que o técnico seja capaz de providenciar este tipo de apoio, sempre no sentido de também promover a autonomia do cliente e a sua independência (algo que também aconteceu no estudo em causa, uma vez que inicialmente o fazendeiro apenas dava ordens sobre o que era necessário fazer e, progressivamente, deixou de dar ordens e passou apenas a ser uma forma de os participantes poderem dialogar).


Bibliografia: Pederson, I., Martinsen, E., Berget, B. & Braastad, B. (2011). Farm Animal-Assisted Intervention: Relationship between Work and Contact with Farm Animals and Change in Depression, Anxiety, and Self-Efficacy Among Persons with Clinical Depression. Issues in Mental Health Nursing, 32, 493-500. doi: 10.3109/01612840.2011.566982

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Mudança de dimensões nas relações homem-animal: Terapia Assistida por Animais para Crianças com Paralisia Cerebral

O presente artigo aborda os diferentes benefícios das diversas terapias assistidas por animais em crianças com paralisia cerebral.

A Paralisia cerebral é uma doença grave e afeta todas as dimensões de saúde da criança e implica a presença de profissionais de várias especialidades ao longo da sua vida. Estas crianças têm uma capacidade limitada para participar nas atividades em casa, na escola e no recreio ou brincadeira pelo que esta terapia visa ajudar a melhorar a sua qualidade de vida e desenvolver a aquisição/melhoramento de competências como a força, o equilíbrio, a flexibilidade e a cognição (Joseph, Thomas e Thomas, 2016).

Os animais e os seres humanos partilham laços fortes de companheirismo e lealdade (Joseph, Thomas e Thomas, 2016). Nimer & Lundahl (2007 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016) dizem-nos que os animais têm uma afinidade natural com as pessoas, o que torna a Terapia assistida por animais possível e benéfica. Esta tendência natural torna a relação entre animais e crianças rápida e empática (Chandler, 2005 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016).

Terapia assistida com golfinhos
Joseph, Thomas e Thomas (2016), referem que os golfinhos são um animal próximo do homem, devido à sua capacidade para manter contacto connosco por longos períodos de tempo. A sua inteligência e sociabilidade, podem ser usadas como fatores motivadores de modo a melhorar a capacidade de atenção e a comunicação destas crianças. Os autores referem ainda que emissões sonoras de alta frequência emitidas pelos golfinhos têm um impacto positivo nas hormonas fisiológicas e nas ondas cerebrais (Nathanson, DeCastro, e Friend, 1997 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016; Joseph, Thomas e Thomas, 2016). Esta terapia, é uma das formas mais utilizadas em crianças e adultos com paralisia cerebral, uma vez que melhora o controlo dos movimentos e os próprios movimentos, a capacidade de atenção, a fala e a linguagem e ainda o comportamento (Joseph, Thomas e Thomas, 2016).

Terapia assistida com cães
Forbes e Marxen (2015 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016) e Elmaci e Cevizci (2015 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016) referem que a terapia com cães, em crianças com paralisia cerebral, aumenta o prazer e a participação destas na terapia e a capacidade para utilizarem o seu corpo. A terapia assistida por cães promove o desenvolvimento do domínio emocional, psicológico, lúdico e motor tanto em relação ao equilíbrio como ao tónus muscular (Joseph, Thomas e Thomas, 2016).

Terapia assistida com cavalos
Esta terapia pode ocorrer na vertente de hipoterapia e/ou equitação terapêutica.
Na hipoterapia o terapeuta controla o cavalo de forma a influenciar a postura da criança, equilíbrio, coordenação, força sensório motora, enquanto a criança interage com o cavalo e responde aos seus movimentos. Na equitação terapêutica e é a criança que controla ativamente o cavalo como forma de exercício, conduzida por um instrutor de equitação, com o objetivo de melhorar a coordenação, o equilíbrio, a postura e o desenvolvimento sensorial e percetivo (Joseph, Thomas e Thomas, 2016).
Diversos autores referem benefícios da terapia assistida por equinos nesta população (Jalango, Astorino e Bomboy, 2004 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016 ; Katcher, Friedmann, Beck e Lynch, 1983 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016; Joseph, Thomas e Thomas (2016). Assim, podemos afirmar que esta terapia melhora os seguintes aspetos:
  • Desenvolvimento motor (força, simetria muscular, equilíbrio, postura, coordenação dos membros superiores e inferiores, estabilização do tronco, flexibilidade)
  • Mobilização da cintura pélvica, da coluna lombar e das articulações
  • Tónus muscular
  • Amplitude de movimentos
  • Funcionamento dos músculos neurais
  • Padrões de marcha
  • Sistema vestibular, percetivo e neuromuscular
  • Autoestima
  • Desenvolvimento da comunicação e da construção de laços afetivos
  • Desenvolvimento cognitivo
  • Comportamento
  • Realização das atividades da vida diária
  • Reduz o stress e a ansiedade
  • Reduz a resistência ao tratamento
REFLEXÃO
A leitura deste artigo fez-nos entender melhor a quantidade de benefícios que as terapias com animais, nomeadamente golfinhos, cães e equinos, podem ter para esta população e como todos esses aspetos desenvolvidos podem melhorar significativamente a vida de uma pessoa com paralisia cerebral.

A grande proximidade do homem aos animais torna este tipo de terapia possível. O animal atua como um companheiro de equipa do terapeuta, trabalhando assim em conjunto, sendo este aspeto uma mais valia na intervenção, uma vez que esta parceria proporciona benefícios ao individuo que o terapeuta sozinho poderia conseguir atingi-los no entanto, o modo e a velocidade desses não seria a mesma. Deste modo, o terapeuta aproveita as características específicas da espécie do animal para intervir, melhorando as áreas motora, psicológica, cognitiva e social.

Este tipo de terapia proporcionar à pessoa uma maior variedade de experiências e motiva-a para o processo terapêutico através do lúdico e do contato com os animais, mudando as suas rotinas.


Bibliografia: Joseph, J., Thomas, N., & Thomas, A. (2016). Changing dimensions in human–animal relationships: Animal Assisted Therapy for children with Cerebral Palsy. International Journal Of Child Devlelopment And Mental Health, 4(2), 52-62. Retirado de https://www.tci-thaijo.org/index.php/cdmh/article/view/65916

domingo, 13 de novembro de 2016

A importância da visita de animais de estimação na recuperação de crianças hospitalizadas


RESUMO DO ARTIGO

Este artigo fala nos de um estudo que tem como objetivo: Compreender o significado da experiência vivenciada por crianças hospitalizadas em relação à visita de animais no hospital. Foi realizado num hospital pediátrico de São Paulo e nele participaram 13 crianças, com idades entre os 3 e os 6 anos.
Segundo os autores deste estudo a terapia com animais é especialmente benéfica para crianças, uma vez que é representado durante a infância, para a criança, como um companheiro imaginário, um agente pelo qual a criança aprende a ser responsável, adquire um sentido de identidade, desenvolve independência e aumenta o sentido de cuidado pelo outro. Assim, para as crianças os animais são como uma fonte de amor incondicional e lealdade, principalmente diante de castigos. São ainda referidas outras vantagens nas relações entre as crianças e os animais:

  •       Ajuda a criança a desenvolver a capacidade de se relacionar com outras pessoas e de lidar com aspectos não-verbais, aprendendo a observar e interpretar a linguagem dos gestos, posturas e movimentos;
  •       Favorece a aprendizagem de fatos fundamentais da vida (como o nascimento, o crescimento, e a morte);
  •       Ajuda a desenvolver atitudes humanitárias em relação ao animal como ser vivo;
  •       Desperta a consciência ecológica.
Assim, sendo numa primeira etapa do estudo, realizava-se uma atividade individual de desenho livre com a criança. Durante a visita dos animais, a terapeuta observava a criança, as suas reações, comportamentos, atitudes e interaçoes com os animais. No final da visita pedia-se as crianças para fazerem um desenho sobre a mesma.
Pode-se concluir que as crianças obtinham prazer no contato com os animais, sorrindo e até gargalhando, queriam pegar neles, voltar a vê-los e ficavam tristes quando iam embora, mesmo aqueles que inicialmente mostravam menos interesse. Segundo os autores estas crianças ficaram mais participativas, desinibidas e relaxadas durante a visita dos animais.
Uma das crianças passou a chorar menos durante os procedimentos invasivos e duas apresentaram redução das queixas de dor durante e após as visitas dos animais. Apresentaram maior facilidade de contato com os outros, e um dos mais tímidos começou a conversar com os pares sobre a experiencia com os animais. Este facto permitiu aos técnicos recorrerem a situações já experienciadas com os animais para efectuar terapias tornando as sessões muito mais divertidas.
A visita dos animais proporciona experiencias muito positivas às crianças, permitindo-lhes esquecer traumas e guardas boas memórias da hospitalização, fazendo as crianças abstrai-se, mesmo que temporariamente, da dor, do sofrimento e das sensações de solidão e isolamento. Melhora a comunicação entre as crianças e entre estas e os adultos, assim como a expressão de sentimentos e reduzindo ainda a ansiedade. O artigo referir também melhorias na concentração, na atenção e no aumento da sensação de segurança.

REFLEXÃO

Na nossa opinião, este artigo é bastante interessante, na medida em que nos apresenta, como resultados de um estudo, os benefícios que esta terapia pode ter para com as crianças, não só no contexto hospitalar, como no sentido de formação pessoal, proporcionando-lhes assim desenvolver um conjunto de competências.
Este é ainda um método que proporciona aos pacientes uma experiência diferente e mais agradável do que as terapias tradicionais em ambientes hospitalares a que estão habituados, cujas aprendizagens adquiridas nesse contato podem ser transferidas para o dia-a-dia das crianças, permitindo-lhes assim, ter um melhor desempenho, tanto noutras terapias como na sua vida pessoal.

Concluímos assim que o contato entre as crianças e os animais é uma mais valia, especialmente em contexto hospitalar, devido aos pequenos efeitos terapêuticos, mesmo que temporários, que têm sobre as crianças.

Bibliografia: Vaccari, A. M. H., & Almeida, F. D. A. (2007). A importância da visita de animais de estimação na recuperação de crianças hospitalizadas. Einstein5(2), 111-116.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Estudo preliminar sobre a eficácia da terapia assistida por cães nos idosos

De Anabel Folch, Margarita Torrente, Luis Heredia e Paloma Vicens

RESUMO DO ARTIGO
Para os autores a terceira idade corresponde a uma fase da vida durante a qual aumenta a probabilidade de se desenvolverem problemas ao nível das diversas funções da pessoa, não só a nível biológico, mas também social, económico e cultural. Dentro destas funções, inclui-se a acuidade visual e auditiva, a lentificação psicomotora, dificuldades de atenção, problemas de aprendizagem e de memória. Para além disso, pode ainda ocorrer gradualmente a perca de identidade pessoal, relações interpessoais e de hábitos do dia-a-dia.
Todas as alterações anteriormente descritas levam consequentemente à perca da independência e à necessidade de algum tipo de assistência, existindo em alguns casos a institucionalização, ambiente bastante associado à solidão, perca de interesse por diversas atividades e sintomas depressivos. 
Sendo assim, o contacto com os animais torna-se importante, devido aos benefícios que proporcionam não só a nível psicológico mas também fisiológico, quando utilizados no âmbito das terapias assistidas. Vários estudos realizados em pessoas com demência, conseguiram concluir que este tipo de terapia permite promover o comportamento social, uma menor agitação motora, melhoram o funcionamento global da pessoa e reduzem a solidão. No entanto, estes estudos focaram-se numa população muito específica, sendo por isso que os autores do artigo em questão tentaram perceber quais os efeitos das Terapias Assistidas por Animais (TAA) em idosos sem qualquer tipo de deterioração cognitiva.
Para a realização do presente estudo, participaram 16 idosos (6 homens e 10 mulheres), sendo que metade participou numa intervenção semanal durante 12 semanas com um cão, enquanto a outra metade foi o grupo de controlo. O planeamento das sessões consistiu em: Nas primeiras 9 sessões, a pessoa deveria aprender, praticar e recordar um circuito em que era necessário realizar um conjunto de capacidades de adestramento do cão. Por fim, nas últimas três sessões, cada pessoa teria que conseguir realizar o circuito completo.
Com este estudo, os autores conseguiram averiguar que o grupo experimental, ao contrário do grupo de controlo, apresentou diferenças significativas nomeadamente em termos de memória a curto prazo, diminuição dos sintomas depressivos, bem como dos níveis de pressão sanguínea e do número de pulsações, indo assim ao encontro dos resultados obtidos em muitos outros estudos. Nestes, foi ainda possível averiguar que estas modificações não acontecem apenas quando a terapia é feita com um cão, obtendo-se resultados semelhantes quando esta é feita com golfinhos e gatos.
Posto isto, é então possível concluir que as TAA têm um efeito positivo nos idosos, não só ao nível psicológico mas também ao nível físico.

REFLEXÃO
Escolhemos este artigo pois a solidão nos idosos é um assunto bastante recorrente na nossa sociedade. Quase todas as semanas são apresentados casos ou estudos que demonstram que, cada vez mais, os idosos vivem sozinhos, sem qualquer contacto com familiares, amigos ou conhecidos. Pensamos que este é assunto que deve ser visto com seriedade pois, apesar de com o envelhecimento acabarmos por perder certas funções, não deixamos de ser pessoas que necessitam de companhia e de estar em contacto com o outro.
Tendo em conta a problemática, pensámos de imediato que seria pertinente colocar estas pessoas em contacto com animais, pois estes conseguem efetivamente fazer-nos sentir que não estamos sós e dão-nos um certo conforto.
Este estudo acabou por ir assim ao encontro da ideia que tínhamos sobre as TAA na população idosa. Para além disso, os autores apresentaram muitos outros estudos que apresentam resultados semelhantes, enfatizando assim a eficácia desta tipo de terapia nesta população. Sendo assim, achamos que seria pertinente a criação de projetos que permitissem o contacto entre idosos e animais, de forma assim a promover uma melhoria da saúde mental destes, das suas capacidades de comunicação, do seu nível motor e das suas funções orgânicas. No entanto, não podemos deixar de referir que o mais importante é o apoio e participação ativa da família na vida destas pessoas, quando tal é possível.

Bibliografia: Folch, A., Torrente, M., Heredia, L. & Vicens, P. (2016). Estudio preliminar de la efectividad de la terapia asistida con perros en personal de la tercera edad. Revista Espnõla de Geriatría y Gerontología. doi: 10.1016/j.regg.2015.12.001