quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

"O Efeito de um Programa de Equoterapia no Desenvolvimento Psicomotor de Crianças com Indicativos de Transtorno de Déficit da Atenção e Hiperatividade"

De acordo com Pereira, Araújo e Mattos (2005 cit in Barbosa e Munster, 2014), as crianças com Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), desde os anos 70, têm sido diagnosticadas com algumas diferenças no movimento, tanto em qualidade como em quantidade, quando comparadas com crianças ditas "normais", observando-se desregulação da atividade motora.
Estas inadequações motoras e comportamentais são bastante evidentes no ambiente escolar, apesar de se notar noutros contextos onde a criança se insere (Barbosa e Munster, 2014).

Segundo vários autores, citados por Barbosa e Munster (2014), a hipoterapia, através dos movimentos tridimensaionais do cavalo, oferece grandes benefícios a estas crianças (Sterba et al, 2002; Meregillano, 2004; Graup, Oliveira e Link, 2006; Copetti et al, 2007; Murphy, Kahn-D'Angelo e Gleason, 2008; Negri, Arruda e Cunha, 2008; Frank, McCloskey e Dole, 2011). Medeiros e Dias (2002 cit in Brbosa e Munster, 2014), neste sentido, referem que esses benefícios provêm do alinhamento do centro de gravidade homem-cavalo, melhorando o equilíbrio, a tonicidade, o alinhamento e consciência corporal, a coordenação motora e a força muscular.

No sentido de perceber o efeito de um programa de educação/reeducação de hipoterapia no desenvolvimento psicomotor de crianças com PHDA, Barbosa e Munster (2014) realizaram um estudo que consistiu na aplicação desse programa a cinco crianças com PHDA, com idades entre os 7 e os 10 anos, dividido por 24 sessões, duante três meses. Estas sessões tinham caráter individual. Os aspetos que os autores avaliaram, relativamente ao seu desenvolvimento, foram a motricidade fina e global, o equilíbrio, a noção corporal, a estruturação espácio-temporal e a lateralização.
Com a análise dos resultados, os autores concluíram que este programa teve, de facto, uma inflência positiva no desenvolvimento psicomotor das crianças com PHDA que participaram no estudo, visto que todas as crianças aumentaram a sua idade motora geral. Também se observaram respostas adaptativas, por parte destas crianças, que promoveram os benefícios psicomotores. Por fim, os autores também referiram que este é um tipo de intervenção que oferece inúmeros estímulos diferenciados que influenciam de forma positiva os aspetos observados, através da interação com o cavalo e com a natureza. 

 REFLEXÃO
Através da leitura deste artigo, conseguimos ter uma maior e melhor noção acerca dos benefícios deste tipo de terapia e, principalmente, em crianças com PHDA.
Como futuras psicomotricistas, temos interesse em perceber e saber os benefícios desta terapia, uma vez que o nosso enfoque vai ser melhorar o desenvolvimento e condições de vida dos nossos pacientes da melhor maneira possível e, como tal, é importante ter uma visão e conhecimento abrangente das terapias que nos vão permitir chegar aos nossos objetivos de uma maneira "rápida" e eficaz. Podemos não trabalhar diretamente com esta terapia, mas podemos acompanhar através da integração da equipa de terapia do indivíduo.
É ainda do nosso interesse ter noção de como é que os cavalos, como seres irracionais, podem ser nossos co-terapeutas e ajudantes.

Artigo:  Barbosa, G. e Munster, M. (2014). O Efeito de um Programa de Equoterapia no Desenvolvimento Psicomotor de Crianças com Indicativos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Revista Brasileira de Educação Especial. 20(1). 69-84. Consultado em dezembro de 2016, no sítio: http://www.scielo.br/pdf/rbee/v20n1/a06v20n1.pdf

Entidades importantes no âmbito das TAA

Centro para o Conhecimento Animal

O Centro para o Conhecimento Animal surge numa sociedade cada vez mais consciente e exigente em matérias relacionadas com o comportamento e bem-estar animal e tem como objetivo dar resposta a muitas questões que cada vez mais frequentemente se levantam.

Visite: http://www.cpcanimal.pt/


Pessoas e Animais. Uma Ligação para a Vida.

Site onde é possível ficar a saber muito mais não só sobre as Terapias Assistidas por Animais, mas também relativamente a Atividades Assistidas por Animais.
Visite: http://www.pravi.org/taa.php




Ânimas - Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social


A Ânimas tem como principal objetivo partilhar os cães de serviço de forma a ajudar indivíduos com problemas a nível motor na realização das mais diversas tarefas, assim como promover programas de atividades assistidas por animais e ações de formação.








Associações/Instituições que dispõem de Terapias Assistidas por Animais

Academia Equestre João Cardiga

Academia Equestre João Cardiga, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social - IPSS, com sede nas instalações do Centro Hipico, com o mesmo nome, fundado em 1992. É uma instituição reconhecida e homolgada pelo Instituto do Desporto e Juventude, Federação Equestre Portuguesa e Escola Nacional de Equitação.
Este local dispõe de Equitação com Fins Terapêuticos.
Visite: http://www.academiaequestrecardiga.pt/ 

CerciOeiras
A CerciOeiras tem como missão integrar, educando, reabilitando e cuidando, ao longo da vida, os clientes e suas famílias, com excelência e sustentabilidade.
Este local desenvolve atividades no âmbito da Equitação Terapêutica no picadeiro da Academia Equestre João Cardiga e dispõe ainda de Terapias Assistidas por Animais.
Visite: http://www.cercioeiras.pt/

Colégio As Descobertas
Enquanto percurso educativo o nosso objectivo consiste em criar a igualdade de oportunidades para promover o acesso e sucesso educativo, estimular o intelecto e a formação pessoal e social, com a finalidade de fomentar a integração sócio-profissional de cidadãos autónomos, responsáveis e tolerantes.
O nosso propósito, enquanto Centro de Actividades Ocupacionais “As Descobertas” é desenvolver actividades que promovam a capacitação e a aquisição de competências sociais necessárias para uma melhor inserção familiar e comunitária, assegurando condições de vida digna.
O Colégio As Descobertas dispõe de Hipoterapia para os seus alunos.

Associação Quinta Essência
A missão da Associação QE é maximizar a autonomia e integração social de pessoas com atraso de desenvolvimento intelectual, maiores de 16 anos.
A Associação QE procura conjugar as potencialidades de um modelo de socialização, no qual se destaca o contributo fundamental das famílias e das redes naturais e sociais de suporte, com a necessidade da criação de relações individualizadas e significativas, promotoras de desenvolvimento humano.
O canil, a casa dos animais e a estufa constituem a Quinta, espaço terapêutico de contacto com a natureza que pretende complementar um desenvolvimento equilibrado dos seus alunos.
Visite: http://quintaessencia.pt/index.php

Associação Vinculum Animal
A associação Vinculum Animal é constituída por uma equipa jovem, dinâmica e bastante motivada, formada por profissionais da área da saúde humana e animal. Têm como objetivo contribuir para a divulgação e desenvolvimento da relação estabelecida entre humanos e animais.
Visite: http://www.vinculumanimal.pt/wp/ 






Associação Hípica e Psicomotora de Viseu
Fundada em 2014 para responder uma necessidade na área social, recreativa e terapêutica no Distrito de Viseu.
Conta com uma equipa multidisciplinar nas vertentes equestre e terapêutica e destina-se a indivíduos com diversos tipos de deficiências ou necessidades educativas especiais, sejam elas crianças, adultos e idosos. Pretende estimular as potencialidades dos seus utentes através de um ambiente natural de cumplicidade entre cavalo-homem.  
Visite: http://ahpv.pt/

Farm Animal-Assisted Intervention: Relationship between Work and Contact with Farm Animals and Change in Depression, Anxiety, and Self-Efficacy Among Persons with Clinical Depression"

Artigo escrito por Pederson, Martinsen, Berget & Braastad (2011)

Este artigo pretende analisar qual a relação entre vários elementos de uma intervenção assistida por animais de uma quinta e as modificações que esta pode ter na depressão, ansiedade e a perceção de auto-eficácia de pessoas com depressão. Para tal, os autores utilizaram como amostra um grupo de 14 pessoas, três homens e 11 mulheres, com idades compreendidas entre os 23 e os 54 anos e que correspondiam a todos os critérios apresentados pelo DSM-IV para a depressão major.

A intervenção consistiu no trabalho e contacto com animais de uma quinta, duas vezes por semana durante 12 semanas, tendo as sessões uma duração entre 1 hora e meia e 3 horas. Numa primeira sessão, os participantes visitaram o local para se familiarizarem com este e, nas sessões seguintes, foi lhes pedido que realizassem tarefas juntamente com o fazendeiro no estábulo, nomeadamente, cuidar das vacas. Dentro destas tarefas inclui-se: ordenhar, alimentar, limpeza, mover os animais, alimentar os bezerros com leite, pentear, remover o estrume e o lixo, contacto físico com os animais, observá-los, dialogar com o fazendeiro e ainda, falar com os animais.

Com a realização deste estudo os autores concluíram que houve um declínio nos sintomas depressivos e de ansiedade e um aumento da capacidade de a pessoa em perceber que pode ser eficaz. Estes resultados positivos associados à saúde mental, estão relacionados com atividades específicas nomeadamente ordenar, alimentar, limpar, mover os animais e dialogar com o fazendeiro. Por outro lado, pentear as vacas, remover o estrume e o lixo e o facto de por vezes contactarem com apenas um animal, não teve efeitos positivos, pelo contrário.

Quanto ao primeiro grupo de atividades, estas caracterizam-se por serem mais complexas, algo que poderá explicar o resultado positivo. O facto de os participantes do estudo necessitarem de desenvolver novas capacidades de trabalho permite que consequentemente adquiram novas estratégias de coping e, sendo este um elemento essencial na gestão dos sintomas depressivos e de ansiedade, traduziu-se assim num efeito positivo em termos de saúde mental. Já o segundo grupo de atividades não implica este tipo de aquisição, podendo assim segundo os autores explicar a correlação negativa.

Um resultado surpreendente foi o facto de que o contacto direto com os animais não teve um efeito positivo nos participantes. No entanto, os autores colocam em evidência uma grande quantidade de estudos que demonstram que o contacto com animais de companhia é efetivamente benéfico para a saúde mental. Sendo assim, estes explicam que este resultado pode estar associado ao facto de este contacto com os animais só existir devido à "obrigação" em realizar as atividades de trabalho anteriormente descritas.

O diálogo com o fazendeiro demonstrou ser essencial uma vez que permitiu aos participantes terem um apoio social a que os autores chamam de "ferramenta terapêutica".

Concluindo, neste estudo em específico os autores puderam perceber que o contacto com animais de um quinta é positivo para a saúde mental de pessoas com sintomas de depressão e ansiedade, mas apenas quando este contacto está relacionado com o desenvolvimento de capacidades de trabalho.

REFLEXÃO
Achamos este artigo particularmente interessante uma vez que aborda uma perspetiva diferente das Terapias Assistidas por Animais, nomeadamente o facto do enfoque serem animais pertencentes a uma quinta, mais precisamente, vacas.

Estes são animais que não são considerados por muitos como um animal de companhia, mas sim como apenas um meio de obter diversos alimentos (e.g. leite, queijo, iogurtes, etc.), daí também termos achado uma boa ideia apresentar este artigo uma vez que nos permite ter uma perceção diferente destes animais e do modo como eles podem ser benéficos para a saúde (neste caso, mental) das pessoas.

Apesar de no estudo em causa não ter ocorrido uma relação positiva entre o contacto com estes animais e os efeitos nos sintomas dos participantes, os autores enfatizam que este acontecimento pode estar apenas relacionado com o facto de o contacto ter sido feito com base em atividades de trabalho, ou seja, não foi dada a oportunidade de as pessoas estarem em contacto com as animais por puro prazer e de forma espontânea. Isto poderá querer dizer que, quando utilizamos os animais como forma de terapia/intervenção, será importante criar atividades que transmitam sentimentos de bem-estar ao cliente, de forma a que a terapia não seja vista como uma obrigação e podendo assim prejudicar os efeitos desta. Com base em diversos autores e outros estudos realizados, Pederson, Martinsen, Berget & Braastad (2011) desde início que salientaram a importância dos animais de companhia, nomeadamente como tendo efeitos benéficos nos sintomas depressivos e de ansiedade, sendo assim este um tipo de terapia a considerar nesta população.

Este estudo demonstrou-se também interessante pois o fazendeiro constituiu uma pessoa essencial durante a intervenção, mais precisamente como uma forma de providenciar apoio social. A questão do apoio social foi bastante abordada este semestre, no sentido em que constitui uma base de suporte bastante importante capaz de influenciar o modo como o processo de intervenção ocorre. Sendo assim, em qualquer terapia (incluindo a psicomotricidade) é importante que o técnico seja capaz de providenciar este tipo de apoio, sempre no sentido de também promover a autonomia do cliente e a sua independência (algo que também aconteceu no estudo em causa, uma vez que inicialmente o fazendeiro apenas dava ordens sobre o que era necessário fazer e, progressivamente, deixou de dar ordens e passou apenas a ser uma forma de os participantes poderem dialogar).


Bibliografia: Pederson, I., Martinsen, E., Berget, B. & Braastad, B. (2011). Farm Animal-Assisted Intervention: Relationship between Work and Contact with Farm Animals and Change in Depression, Anxiety, and Self-Efficacy Among Persons with Clinical Depression. Issues in Mental Health Nursing, 32, 493-500. doi: 10.3109/01612840.2011.566982

Terapia com Burros - Asinoterapia nas Escolas

(clique na imagem para ver a reportagem)


Esta reportagem fala-nos da Asinoterapia, que ocorre num agrupamento escolas na zona de Sintra com os Burros do Magoito. Este agrupamento escolar tinha várias crianças com necessidades educativas especiais pelo que, pediu apoio a Câmara de Sintra para esta terapia, que comparticipou a iniciativa na sua totalidade. 

A Asinoterapia utiliza o burro como instrumento terapêutico, através de um conjunto de técnicas de educação e reeducação do indivíduo de modo a desenvolver a expressividade das emoções, a cognição, as competências de relacionamento e a motricidade. Esta prática terapêutica inclui uma relação triangular entre o terapeuta (psicomotricista), o utente e o burro. Neste contexto o animal assume um papel de co-terapeuta, mediador e facilitador das aprendizagens tanto para crianças como adultos com necessidades especiais.

É escolhido o burro pelas suas características e qualidades como co-terapeuta, tem um temperamento dócil, afável, é um animal paciente, atento, curioso, e inteligente. Dotado de uma excelente memória, é fisicamente robusto, estável a nível físico e emocional. Os seus movimentos são lentos e seguros, e não se assusta com muita facilidade.

É apresentada uma das crianças que faz Asinoterapia, que apresenta um diagnóstico de autismo, e a mãe refere que surgem resultados e pequenas vitórias diárias, enquanto outros resultados são mais morosos e é necessário deixar os psicomotricistas fazerem o seu trabalho. Esta criança, com autismo, é segundo a mãe, uma criança mais feliz, começou a verbalizar e a relacionar-se com o outro, melhorando muito as suas relações sociais e afetivas depois de iniciar este tipo de terapia.

A reportagem realça a relação estabelecida entre a criança e o animal, e com a criança e os terapeutas e o desenvolvimento das competências conseguidas pela terapia como a coordenação, o equilíbrio, a atenção, a concentração bem como as aprendizagens emocionais, sociais e relacionais.


REFLEXÃO
Esta reportagem despertou-nos bastante interesse pela criatividade e modo de aplicação da terapia, através de um projeto móvel. Um outro aspeto que queremos salientar é o apoio e financiamento que a Câmara de Sintra disponibilizou, proporcionando esta igualdade de oportunidades a todas as crianças com necessidades educativas especiais daquele agrupamento, especialmente àquelas, que devido às suas situações económicas menos favorecidas, não podem ter acesso à esta ou outras terapias. 

Consideramos mais uma vez, que este é um exemplo do reconhecimento do nosso trabalho, não só ao nível dos pais das crianças, como se pode observar o testemunho da mãe de uma criança durante a reportagem, como pela autarquia, começando assim a ganhar uma outra dinâmica e dimensão. 

Queremos enfatizar o facto de ser necessário esperar que os profissionais façam o seu trabalho, aspeto referido pela mãe do menino, e é bastante relevante quando nos referimos à intervenção, tanto com animais como sem eles, os profissionais precisam de tempo para avaliar a criança e o seu comportamentos nos diversos contextos de vida, e a criança precisa igualmente de tempo para aprender, se adequar a situações novas e desenvolver capacidades através das estratégias utilizadas pelos psicomotricistas.

Tal como pudemos perceber, é uma terapia com bastantes benefícios e pode ser realizada em grupo ou individualmente, o que para nós terapeutas também é vantajoso, podendo adequar a mesma às necessidades da criança e altera-la em dimensão quando assim houver necessidade.

Golfinhos melhoram a vida de crianças com deficiencia em Cuba

( clique na imagem para ver o vídeo )


Esta notícia fala-nos de um caso real, o Javier, um menino de 10 anos com paralisia cerebral e de outras crianças com necessidades especiais que costumam frequentar o Aquário Nacional de Cuba onde têm sessões com golfinhos.

Durante as sessões, as crianças tocam nos golfinhos, alimentam-nos, trocam afetos e brincam com eles sob a orientação dos treinadores Yenia Expósito e Adrián Calderón. As reações dos golfinhos perante as atitudes das crianças fazem-nas rir.

Vera referiu que esta terapia melhorou a qualidade de vida de Javier, na medida em que quando chegou às sessões, o menino não andava e agora já o faz, tendo melhorado a coordenação motora, a praxia global e fina, o desenvolvimento da linguagem e das relações sociais.

"Trabalhamos a socialização, que as crianças se divirtam, que sejam felizes" e também "com exercícios psicomotores, que os ajudam a ganhar muito em força muscular” - Maria de Los Ángeles Serrano ( vice-diretora do  Aquário) 
Os especialistas utilizam o lúdico para desenvolver as capacidades das crianças, a intervenção começa com uma conversa e explicação sobre os golfinhos e depois passam para a prática. Expósito (s.d) salienta que o golfinho não cura, mas estimula a criança a realizar as atividades.

REFLEXÃO
A Delfinoterapia é uma forma de intervenção muito pouco utilizada em Portugal, no entanto esta notícia mostra-nos que também é benéfica para o desenvolvimento das competências das crianças, dando-nos o exemplo de um caso real, o Javier.

De acordo com o lecionado na aula de Modelos de Intervenção em Psicomotricidade (MIP), a frequência relativamente pequena do uso da Delfinoterapia, deve-se à indução do stress no golfinho causada por este tipo de atividade durante alguns períodos de tempo, de forma rotineira. Quando exercemos uma terapia em que o animal funciona como nosso co-terapeuta, devemos respeitar também os seus limites saudáveis a todos os níveis, e esta deve ser benéfica tanto para a criança, como para o animal, pelo que é essencial ter este ponto em atenção quando intervimos especialmente com os golfinhos.

Consideramos que um grande benefício desta terapia consiste também no contexto em que é desenvolvida, podendo ocorrer dentro ou fora de água. Referenciando também uma outra aula de intervenção em meio aquático lecionada na unidade curricular, podemos afirmar que a água é um meio facilitador do movimento e da relaxação e transmite a ideia de um local acolhedor, que transmite à criança uma ideia regressiva ao seu tempo de gestação dentro do útero da mãe. Deste modo, o meio aquático permite, através das propriedades da água, uma maior impulsão, resistência e proximidade do outro, o que privilegia o desenvolvimento da componente social, a experiencia de um novo conceito de espaço e comportamento corporal, e através do lúdico permite ainda à criança uma exploração psicomotora estruturante.

Concluímos assim que o contato entre as crianças e os golfinhos é uma mais valia e pode ser vantajoso, sendo uma forma de motivar a criança para a terapia, não só o animal, como o meio em que esta terapia pode ocorrer.

Centro Hospitalar Conde de Ferreira vai ter centro de Hipoterapia

Esta notícia informa-nos sobre a construção de um centro de hipoterapia, até ao fim de 2016, no Centro Hospitalar de Conde de Ferreira com a parceria do Pony Club do Porto.
Este projecto tem como objetivo promover a integração social, a reabilitação física e sensorial através da terapia com póneis e cavalos destinada a pessoas com problemáticas na área da saúde mental.

REFLEXÃO
O grupo considerou esta notícia bastante interessante na medida em que comprova a expansão e a adesão ao trabalho que desenvolvemos como futuros psicomotricistas, juntamente com outros profissionais competentes nesta área.
É cada vez mais visível o reconhecimento das terapias assistidas por animais e dos seus benefícios, neste caso com equinos, e o investimento institucional, profissional e monetário que está a ser realizado.

Esta prática terapêutica, até há pouco tempo era comum nos Estados Unidos da América e na Europa de Norte, mas tem uma implementação cada vez maior em Portugal. Começando já a ser apoiada por Instituições Públicas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Mudança de dimensões nas relações homem-animal: Terapia Assistida por Animais para Crianças com Paralisia Cerebral

O presente artigo aborda os diferentes benefícios das diversas terapias assistidas por animais em crianças com paralisia cerebral.

A Paralisia cerebral é uma doença grave e afeta todas as dimensões de saúde da criança e implica a presença de profissionais de várias especialidades ao longo da sua vida. Estas crianças têm uma capacidade limitada para participar nas atividades em casa, na escola e no recreio ou brincadeira pelo que esta terapia visa ajudar a melhorar a sua qualidade de vida e desenvolver a aquisição/melhoramento de competências como a força, o equilíbrio, a flexibilidade e a cognição (Joseph, Thomas e Thomas, 2016).

Os animais e os seres humanos partilham laços fortes de companheirismo e lealdade (Joseph, Thomas e Thomas, 2016). Nimer & Lundahl (2007 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016) dizem-nos que os animais têm uma afinidade natural com as pessoas, o que torna a Terapia assistida por animais possível e benéfica. Esta tendência natural torna a relação entre animais e crianças rápida e empática (Chandler, 2005 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016).

Terapia assistida com golfinhos
Joseph, Thomas e Thomas (2016), referem que os golfinhos são um animal próximo do homem, devido à sua capacidade para manter contacto connosco por longos períodos de tempo. A sua inteligência e sociabilidade, podem ser usadas como fatores motivadores de modo a melhorar a capacidade de atenção e a comunicação destas crianças. Os autores referem ainda que emissões sonoras de alta frequência emitidas pelos golfinhos têm um impacto positivo nas hormonas fisiológicas e nas ondas cerebrais (Nathanson, DeCastro, e Friend, 1997 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016; Joseph, Thomas e Thomas, 2016). Esta terapia, é uma das formas mais utilizadas em crianças e adultos com paralisia cerebral, uma vez que melhora o controlo dos movimentos e os próprios movimentos, a capacidade de atenção, a fala e a linguagem e ainda o comportamento (Joseph, Thomas e Thomas, 2016).

Terapia assistida com cães
Forbes e Marxen (2015 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016) e Elmaci e Cevizci (2015 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016) referem que a terapia com cães, em crianças com paralisia cerebral, aumenta o prazer e a participação destas na terapia e a capacidade para utilizarem o seu corpo. A terapia assistida por cães promove o desenvolvimento do domínio emocional, psicológico, lúdico e motor tanto em relação ao equilíbrio como ao tónus muscular (Joseph, Thomas e Thomas, 2016).

Terapia assistida com cavalos
Esta terapia pode ocorrer na vertente de hipoterapia e/ou equitação terapêutica.
Na hipoterapia o terapeuta controla o cavalo de forma a influenciar a postura da criança, equilíbrio, coordenação, força sensório motora, enquanto a criança interage com o cavalo e responde aos seus movimentos. Na equitação terapêutica e é a criança que controla ativamente o cavalo como forma de exercício, conduzida por um instrutor de equitação, com o objetivo de melhorar a coordenação, o equilíbrio, a postura e o desenvolvimento sensorial e percetivo (Joseph, Thomas e Thomas, 2016).
Diversos autores referem benefícios da terapia assistida por equinos nesta população (Jalango, Astorino e Bomboy, 2004 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016 ; Katcher, Friedmann, Beck e Lynch, 1983 cit in Joseph, Thomas e Thomas, 2016; Joseph, Thomas e Thomas (2016). Assim, podemos afirmar que esta terapia melhora os seguintes aspetos:
  • Desenvolvimento motor (força, simetria muscular, equilíbrio, postura, coordenação dos membros superiores e inferiores, estabilização do tronco, flexibilidade)
  • Mobilização da cintura pélvica, da coluna lombar e das articulações
  • Tónus muscular
  • Amplitude de movimentos
  • Funcionamento dos músculos neurais
  • Padrões de marcha
  • Sistema vestibular, percetivo e neuromuscular
  • Autoestima
  • Desenvolvimento da comunicação e da construção de laços afetivos
  • Desenvolvimento cognitivo
  • Comportamento
  • Realização das atividades da vida diária
  • Reduz o stress e a ansiedade
  • Reduz a resistência ao tratamento
REFLEXÃO
A leitura deste artigo fez-nos entender melhor a quantidade de benefícios que as terapias com animais, nomeadamente golfinhos, cães e equinos, podem ter para esta população e como todos esses aspetos desenvolvidos podem melhorar significativamente a vida de uma pessoa com paralisia cerebral.

A grande proximidade do homem aos animais torna este tipo de terapia possível. O animal atua como um companheiro de equipa do terapeuta, trabalhando assim em conjunto, sendo este aspeto uma mais valia na intervenção, uma vez que esta parceria proporciona benefícios ao individuo que o terapeuta sozinho poderia conseguir atingi-los no entanto, o modo e a velocidade desses não seria a mesma. Deste modo, o terapeuta aproveita as características específicas da espécie do animal para intervir, melhorando as áreas motora, psicológica, cognitiva e social.

Este tipo de terapia proporcionar à pessoa uma maior variedade de experiências e motiva-a para o processo terapêutico através do lúdico e do contato com os animais, mudando as suas rotinas.


Bibliografia: Joseph, J., Thomas, N., & Thomas, A. (2016). Changing dimensions in human–animal relationships: Animal Assisted Therapy for children with Cerebral Palsy. International Journal Of Child Devlelopment And Mental Health, 4(2), 52-62. Retirado de https://www.tci-thaijo.org/index.php/cdmh/article/view/65916